Marte antes da luneta. Até 1500, era crenca comum de que o centro do Universo seria a Terra.
Em 1543, porém, Nicolau Copérnico mostrou que a matemática necessária para descrever o movimento dos planetas seria muito mais simples se fosse adotado o Sol como centro de tudo.
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| | Sistema de Copérnico, c.1543 por Andrea Cellarius no séc. XVII para o The Celestial Atlas, publicado em Amsterdan, cerca 1660. © Biblioteca Britânica, Londres. |
Afinal, como explicar o vai-vem que os planetas parecem ter em relação ao fundo de estrelas fixas?
Para explicar essas laçadas, os adeptos da idéia de que a Terra seria o centro do Universo aceitavam o conceito de Ptolomeu, publicado em torno do ano 150, de que um ponto imaginário estaria em órbita circular em torno de um centro denominado "equante", não coincidente com o centro da Terra.
Pois bem, Marte estaria descrevendo uma circunferência, denominada "epiciclo" em torno desse ponto. Complicado, não?
Será que existe outra forma de se explicar essas lacadas de forma um pouco mais simples? Ao ouvir uma explicacao sobre os epiciclos de Ptolomeu no século XIII o rei Alfonso X de Castilha (1252-84) exclamou: "Se eu tivesse estado presente no momento da Criacao, poderia ter dado algumas sugestoes úteis para que se fizesse um Universo um pouco mais organizado!"
Como explicar o fato de que Marte ora tem movimento direto, ora retrógrado?
Se admitirmos que tanto a Terra quanto Marte movimentam-se em torno do Sol, como preconizado por Copérnico...
... a explicação do aparente vai-vem torna-se óbvia:
Apesar da incrível simplificacao que a hipótese de Copérnico acarretava, o orgulho de ser "o centro do Universo" cegou alguns grandes cientistas, entre os quais Tycho Brahe (1546 - 1601), astrônomo dinamarquês que fez observacoes surpreendentemente precisas sobre a posicao de Marte. Sem telescópio, usando apenas grandes "transferidores" conseguiu fazer medidas com a precisao de 1/15 de grau!
Tudo isso para tentar provar sua hipótese de um "sistema misto" no qual o Sol giraria em torno da Terra e o resto em torno do Sol!
Seu trabalho, porém, nao foi em vao. Os dados precisos que ele obteve sobre Marte acabaram sendo utilizados por outro grande astrônomo da época, Johannes Kepler (1571-1630).
Johannes Kepler. © Acervo Anglo
Com os dados de Brahe, Kepler determinou que a órbita de Marte, assim como de todos os outros planetas, incluindo a Terra, nao era na realidade uma circunferência mas sim uma elipse na qual o Sol ocupa nao o centro mas sim um dos focos:
Assim sendo, ora Marte está mais perto do Sol (periélio com velocidade máxima), ora mais longe (afélio com velocidade mínima):
A grande aproximacao de Marte no final de agosto de 2003, a maior em 60 mil anos, se deve justamente ao fato de que Marte está em seu periélio e a Terra próxima de seu afélio:
Matéria retirada na íntegrada DAQUI.
Este post faz parte do Ecological Day promovido pela Sonia Mascaro.
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