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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Como viver em outro país?

Parte 2 - Uma morte nao nos deixou ir para o Brasil

O primeiro natal chegou com muita neve na Floresta Negra, eu me sentia a própria floresta perdida na língua alema. Chorava sem parar como a neve que caía lá fora. Meses e meses de neve e frio. Eu nao conhecia ninguém naquela cidade. No final de 9 meses eu disse prá mim mesma que precisava ir embora. Fiz às malas 5 vezes, para voltar ao Brasil. Todas às vezes Christian me abracava, chorávamos juntos e ele me dizia que eu iria conseguir. Ele mesmo passou a odiar a própria língua dele por minha causa. Mas ele também me disse uma coisa muito importante: - Schatz (tesouro) sua língua também nao é fácil de se aprender. É uma gramática totalmente diferente da minha, uma loucura, pois Rio de Janeiro para as cariocas é: Riu de Janeiru!!! Caíamos na risada em meio as lágrimas.

Muiiiiiiiiitas foram as nossas conversas. Está ai um ponto muito importante entre um casal. Conversar sobre as dificuldades que se tem. Falar com sinceridade aonde te dói. O outro nao é advinha!!!
Tem mulher que pensa que o homem tem que entender por um olhar o que ela está sentindo ou querendo. Uma das coisas que nos sustentou, é que conversávamos muito sobre tudo. Nós éramos os nossos melhores amigos e o somos até hoje. Eu sempre dizia ao Christian assim: - Olha, se nao der certo entre nós quero continuar sendo sua amiga, pois você é uma pessoa maravilhosa. E ele me respondia: - Entao, fica comigo, eu preciso de você ao meu lado.

Quando ele viu que eu estava sofrendo demais, entao ele disse que seria melhor se nós fôssemos para o Brasil. Mas..., confesso que tive medo. Ele é informático e para trabalhar na profissao dele, nós teríamos que viver em uma cidade grande onde ele pudesse trabalhar.
Gente, tive medo mesmo pela vida dele. Posso ter sido muito estremada, mas tive medo.
Foi nesse meio tempo que um rapaz de 25 anos foi assassinado em Sao Paulo. Ele estava colocando gasolina no carro. Os bandidos lhe pediram o carro, ele enfiou a mao no bolso para pegar às chaves do carro e eles atiraram na cabeca. Foi fatal.
Christian e ele trabalharam juntos num projeto na Colômbia e em Sao Paulo e ele mal podia acreditar que 11 meses depois ele estava morto. Christian chorou dias e dias quando se lembrava. E isso foi um sinal para mim: ou eu terminava tudo e voltava ou arregacava às mangas e ficava. E eu decidi ficar.

Continua ...


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