Você faz toda a diferenca!

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terça-feira, 13 de novembro de 2007

Mc Donald e Futebol


Você pode me perguntar: Georgia, não seria o contrário?
Eu te responderia: Não.
O clubinho dente de leite, acho que é assim que é chamado no Brasil. Aqui eles recebem letras do alfabeto. O do meu filho por exemplo é F3. Tem o F2, F1, E2, ...até chegar na última letra, no caso Liga A. E é quando eles passam para o juvenil ou já entram num futebol mais profissional. Não sei ao certo essa classificação no Brasil e prá ser sincera nem mesmo aqui. Tudo que faço com Daniel e seu amiguinho é levá-los todas às terças e quintas -feiras para o treino e no sábado é o jogo. Todas as crianças têm praticamente a mesma idade. Todos nascidos em 1999 e somente um nascido em 2000, por ter chegado exatamente quando o grupo estava iniciando, e ele nao queria esperar um ano e além disso todos os amiguinhos dele estavam nesse grupo. Outro caso inédito no grupo é termos 2 brasileirinhos. O Daniel e o Leonardo, o pai dele é brasileiro. Mas mesmo assim o grupo F3, ficou mais de um ano sem ganhar um jogo sequer. Por que? A experiência conta muita coisa, os problemas que o clubinho deles tiveram desde o início e até agora, sem um treinador, foi outra conseqüência. Às crianças embora gostando de jogar a bolinha deles estavam desanimados. Ninguém queria pegar esse grupo porque os outros treinadores já estavam abarrotados de treinos. Uma pena para eles que estavam chegando, a acolhida nao foi lá simpática e creio que de certa forma, eles sentiram isso, muitas das vezes abandonados. Nós os pais das crianças nos demos, nos juntamos, nos revesamos para ajudar na concretização do sonho de cada um deles. Mas nunca que eles ganhavam nenhum jogo e eles voltavam prá casa no sábado com um gosto enorme de derrota, de incapacidade.

Christian e eu como orientadores deles, nós prometemos que na primeira vitória do nosso time, nós os levaríamos para uma janta no Mc Donald.
Nós pensávamos com isso, em incentivá-los. E eles ficaram empolgados. Mas mesmo assim não conseguiram fazer nenhum gol durante meses.
Um belo dia, depois de quase um ano e meio treinando aos trancos e barrancos eles ganharam o primeiro jogo. Gente, vocês não podem imaginar a alegria de todos nós. A emocao deles, foi algo assim alucinante!!! Se abraçavam, se beijávam e choraram juntos no meio do campo. E nós chorávamos de ver que todo aquele trabalho de meses a fio, debaixo de sol, chuva, frio, vento e neve, agora chegava o resultado que tanto eles esperavam: Ganhar o primeiro jogo.A cobrança do jantar no tio Mc chegou logo no próximo minuto e claro que essa noite para nós foi maravilhosa. Pois, a conversa dos nossos Super Star's só podia ter sido uma: A primeira Vitória!!!

Na foto o Andrè que ajudou a treinar as criancas desde o início, mesmo ele nao sendo treinador, mas ele estava sempre disponível. O nosso carinho especial por ele.

Às vezes é assim também nas nossas vidas. Eu digo que todos os dias estamos treinando algo. Para depois vir o resultado desse treinamento. O que nao podemos deixar acontecer é que fiquemos sempre só no treinamento. Temos que lutar para fazermos o gol.


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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Quando competir é bom

 Daniel e Lucy ficaram sempre juntos durante toda a competicao.
Daniel chegou em casa há 2 semanas atrás enquanto eu preparava a mesa para o almoco e me perguntou assim:
- Mamae, vai ter corrida na cidade e eu gostaria de correr.
- Sei. E o que eu tenho que fazer?
- Nada. A nao ser me deixar correr. Assim eu poderei amanha na escola me inscrever.
Uma semana depois ele chegou novamente perto de mim e me disse:
- Mamae, amanha vai ser a corrida classificatória.
- Que corrida classificatória?
- Mamae, você já se esqueceu que eu me inscrevi prá correr em nome da escola?
- Nao, sim, já me esqueci filho, desculpa. Posso ir te ver?
- Claro!!!
No dia seguinte choveu torrencialmente e a corrida classificatória ficou para uma quarta-feira à tarde. Lá foi a mae se desfazer dos outros compromissos para levá-lo; pois tinha-lhe prometido estar presente. Quarta- feira, fazia um frio de 9 graus, mae congelando mas menino quentíssimo com toda aquela agitacao. Chegamos ao local e lá estava quase que metade da escola. Olhei para o meu filho magrinho do jeito que é, e vocês podem imaginar o que mae pensou, nao é? Me abaixei para falar com ele:
-Daniel, mamae está super orgulhosa por você estar participando das eliminatórias para a classificacao. Mas você sabe: Você pode nao chegar a ser classificado. Falei com ele pausadamente.
- Eu sei mamae, sao muitos nao é?
- Sim meu filho, sao muitos. Vamos comecar os exercícios de aquecimento? Com o frio que está fazendo você poderá ter uma distencao muscular.
- Mae, nao precisa, a professora de educacao física está ai e ela vai fazer isso. Nao se preocupe.
- Mae é assim mesmo filho. - lhe respondi.- é metida a fazer e a saber tudo melhor que outras pessoas e sua mae nao é diferente de outras maes.
Ele sorriu, e eu lhe pedi que me desse cinco com as maos e lá foi ele.
A professora explicou as regras da competicao: As criancas correriam pelos anos de nascimento. Para as séries maiores meninos e meninas competiriam juntos os cinco primeiros lugares e para as séries menores os primeiros cinco meninos seriam classificados, assim como as primeiras cinco meninas. Em caso de empate, os dois se classificariam.
A professora de esporte fez o aquecimento com os competidores.
Daniel correu até a mim para entregar-me sua jaqueta, pois sem ela ele correria melhor disse-me todo empolgado dando pulinhos continuando o seu aquecimento.
- Daniel, você entendeu as regras? Para a sua série que é a terceira, somente os cinco primeiros que chegarem a frente se classificarao. Tanto menino quanto menina.
- Sim, mamae, eu entendi.
Lucy se aproximou do Daniel. Ela é a namoradinha dele desde o ano passado. E desejou-lhe boa sorte. Eles teriam que correr 1.200 metros. Foi dado o tiro de largada e as criancas comecaram a correr. Tenho que confessar que a cada volta meu coracao disparava, Daniel estava conseguindo manter o quinto lugar entre os quarenta competidores e eu nao conseguia acreditar no que estava vendo. Menino parecia que tinha colocado sebo nas canelas e danou a correr. Última volta, últimos metros para a chegada. Daniel olhou para trás para ver qual distância ele tinha do concorrente e viu Lucy, sua namoradinha. Ela havia competido no ano passado e agora ela estaria fora. Ele olhou os colega a frente dele: quatro meninos, nenhuma menina. Últimos metros eu gritava: - Corre Daniel! A mae de Lucy a meu lado gritava: - Corre Lucy!
Foi entao que vimos a cena que emocionou a todos os pais que estavam ali assistindo as eliminatórias. Daniel esticou a mao dele prá trás e Lucy entendeu que ele a queria na eliminatória no próximo domingo e os dois chegaram juntos em quinto lugar.
Eu, já estava chorando como estou agora. A mae de Lucy me abracou. Me senti estar vendo um desses filmes de competicao na televisao.
As professoras organizadoras deram os parabéns aos dois. E eles saíram com os papéis de permissao para o próximo domingo. Ontem foi a competicao. Daniel chegou em 44° lugar como Lucy fez questao de contar. Pois, aqui os meninos correram separados.
Daniel nao tirou em primeiro lugar e nem Lucy. Mas tiraram em primeiro lugar em licao da vida.
Devo confessar que eu nao estava assim nao quando crianca. Era medrosa com essas coisas e nunca participei de nenhum campeonato.
A Alê me incumbiu de escrever 5 filmes que mudaram minha vida. Devo dizer que nenhum filme, Alê mudou tanto a minha vida como a este que acabei de viver. A atitude dele me ensinou a ver o quanto muitas das vezes sou egoista e individualista.

Grande abraco

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