
Olá meus amigos. Quero agradecer toda a forma de carinho que vocês nos expressaram. Muito obrigada. Chegamos hoje do Sul da Alemanha e vou visitá-los no decorrer da semana.
Partindo da minha experiência com meus filhos quero dividir com vocês desde a notícia de morte da avó das criancas até a hora do enterro.
Como o quadro da minha sogra era bem grave, decidimos que somente o Christian voaria para lá, pois de última hora nós nao iríamos conseguir 4 lugares no vôo. Quando a notícia chegou eu estava sozinha em casa com as criancas. Entao decidi contar primeiro para o Daniel e mais tarde para a Viviane, pois eu nao queria ter os 2 ao mesmo tempo chorando e eu sozinha tendo que consolar os dois. Levei a Vivi para a casa da amiguinha e conversei com o Daniel de que a vovó dele estava muito ruim e que por causa disso o papai teve que voar para lá. Ai eu disse que desta vez ela nao tinha conseguido mais lutar contra a doenca. Ele ficou em silencio por uns minutos, que para mim foram eternos e depois ele disse:
- Melhor assim mamae, ela estava sofrendo muito. Ela lutou muito contra a doenca.
Eu o abracei e eu comecei a chorar pela atitude dele. Mas ele nao chorou.
Mais tarde quando a Viviane chegou, eu falei que queria conversar com ela algo muito sério e ai ela ouviu a nótícia e me perguntou:
- Mae, o que significa "morreu"?
- Significa filha que a gente só vai ver a vovó através das fotos que fizemos dela, que pessoalmente nós nao a veremos mais e nem poderemos mais conversar com ela quando formos para a casa do vovô.
E ai ela chorou alto e estridente como eu nunca tinha visto e ouvido e eu me agüentei o quanto eu pude. A coloquei no colo, a abracei, nao disse mais nada, deixei-a chorar. Quando eu achei que era suficiente, entao disse a ela:
- Agora basta filha. A gente chora sim, porque ficamos tristes, mas também precisamos parar de chorar. Que tal irmos à cidade agora?
E entao o assunto foi meio desconversado embora todo o percurso ela só falava nisso.
À noite os 2 dormiram comigo na cama e ela acordou 3 vezes assustada, gritando no meio da noite.
Partindo

disso, fiquei imaginando como seria na hora do enterro? Entao comecei a pensar em como amenizar aquele momento tanto para meus filhos quanto para a priminha que vivia lá do ladinho da minha sogra. Para a priminha da Viviane com certeza estava sendo muito mais difícil.
Entao comprei esse camafeu de coracao. Trabalhei as fotos para diminuí-las e elas ficaram emocionadas quando abriram os coracoezinhos e viram a foto da vovó lá dentro e a delas também. Durante a cerimônia, elas os trouxeram pendurados e seguravam o coracaozinho nas maos.
Elas também providenciaram um desenho em forma de cartinha. E minha cunhada providenciou um balao onde amarramos a cartinha e que foi solto, subindo ao céu. Esse efeito fez muito bem a todos nós.

O Daniel foi ao microfone e contou o que a avó significa para ele e a Viviane contou que com a avó ela aprendeu a pentear os cabelos antes de dormir. Que isso ela nunca iria esquecer.

Durante a cerimonia e na hora do enterro quando elas choraram, eu levei na bolsa uma caixinha com coracoezinhos de chocolates, e os dei a elas. Pois, pensei que mesmo na dor, se pode ter uma lembranca adocicada...
Aqui na Alemanha é costume que após o enterro eles vao para um restaurante para tomar um café juntos e conversarmos com os parentes. Entao eu preparei um álbum com fotos da minha sogra desde quando eu cheguei aqui na Alemanha e várias fases dela com a família. E isso foi um consolo muito bom para os parentes. Assim conversamos, tivemos assuntos, ficamos tao descontraídos que até sorrimos com algumas lembrancas.

Minha foto com ela na Basiléia (Suica) 1993, quando vim à Alemanha pela primeira vez.
A história do balao vermelho, clique
AQUI.
Ao preparar este post, dei uma pesquisada na internet e achei um link muito bom falando sobre o assunto. Caso você queira dar uma olhadinha clique
AQUI e
AQUI.
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