Você faz toda a diferenca!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O que é que realmente importa?

Hoje fomos matricular a nossa filha na nova escola. Aqui  na Alemanha é assim: quando a crianca termina a Escola Primária ela vai para uma outra escola. Na hora da matrícula a crianca é entrevistada com um dos professores. Além dele querer saber como se pronunciava o nome "Viviane", pois eles estao mais acostumados com Vivien, ela claramente disse que gostaria que ela fosse chamada corretamente pelo nome dela. No decorrer da entrevista ele lhe perguntou:
- Viviane, você tem alguma coleguinha que  gostaria que estivesse com você na sua sala? E entao ela deu nome e sobrenome da colega. A segunda pergunta:
- Viviane, tem alguém que você nao gostaria que estivesse com você na mesma sala? E ela  rapidamente disse o nome da coleguinha. Percebi que houve um silencio e ela o percebeu também e foi logo explicando:
- Tentei durante 4 anos entendê-la, mas foi difícil. Nao quero passar os meus outros 6,7 anos com uma pessoa que nao aceita meu jeito de pensar e quer porque quer que eu aceite o dela.
Uau! Minha filha tem 9 anos e já pode distinguir tao claramente uma situacao assim. Eu na idade dela era uma Maria Vai Com As Outras e certamente iria ficar tentando a amizade com esta menina.
Ponto pra minha filha. O entrevistador fez-lhe uma última pergunta:
- Viviane, você sabe que temos uma Escola Integrativa e que temos entre os nossos alunos criancas que se sentam em cadeiras de rodas, ou que nao podem ouvir bem, ou que têm uma deficiência no braco ou nas maos ou nas pernas... Você gostaria de ir para uma sala onde essas criancas estao?
Ela pensou bem uns 3 à 4 minutos e depois lhe respondeu:
- Nao. Eu sou criada com duas línguas: o Alemao e o Português e já tenho minhas dificuldades em me concentrar, se eu tiver um coleguinha assim sentado perto de mim nao vou conseguir me concentrar, vou ficar pensando que preciso ajudá-lo o tempo inteiro.
Uau! Eu jamais teria uma resposta tao clara, tao direta, tao sincera e esclarecedora do meu "porquê nao". Eu teria aceitado, pois ficaria com pena de alguém nessa situacao.

Sim, eu agi assim por muitos anos e ainda hoje me pego agindo assim algumas vezes.
Por dó, por compaixao, agindo em funcao dos outros, nao tendo uma atitude madura.
O caso é:  quando tomamos uma atitude por alguma compaixao, essa atitude no meio do caminho comeca a pesar e ai fica difícil de carregar o peso da nossa decisao. Nos tornamos agressivos, insatisfeitos, depressivos e por fim  desistimos.
Hoje eu aprendi algumas coisas com a minha filha. E coisas importantes para o meu crescimento e amadurecimento como pessoa.
E com você, como é?

30 comentários:

✿ chica disse...

Viviane está tremendamente madura e bem preparada para a vida e saberá enfrentar, de cabeça erguida tudo o que vier! parabéns às duas, linda lição! bjs,chica

Pedrita disse...

aqui às vezes é assim. qd vai mudar de bloco de ensino precisa mudar de colégio. realmente incrível a percepção da sua filha. concordo com ela, cada um precisa respeitar o pensamento do outro. essa é a diversidade. eu sempre tive opiniões claras e sempre me incomodei com quem tentava me obrigar a pensar de outra forma. dar outro parecer, tudo bem, mas impor não. eu acho ruim o sentimento de pena, acabamos cometendo esse erro, mas quem tem limitações o q menos quer é pena. a novela joia rara vem mostrando bem isso. e gosto de escolas q integram. eu acho incrível qd podemos aprender algo com alguém, q dirá com alguém q ainda é uma criança. bonito vc se reavaliar olhando a sua filha, apesar dela ser fruto do q vc mesma criou com ela. lindo isso. admiro muito vc. beijos, pedrita

Pedrita disse...

ih, vou ter q discordar da chica. não acho que a viviane esteja madura. ela é uma criança. já tem bom discernimento, já tem um bom equilíbrio para uma criança. mas ainda é uma criança.

Georgia Aegerter disse...

Chica, obrigada por suas palavras. Eu sei que a Viviane é bem madura para a idade dela, mas esse discernimento é próprio da personalidade dela. Como escrevi, eu precisei de muitos anos para chegar a esse ponto onde ela já está e sendo ainda crianca.

Um grande beijo

Georgia Aegerter disse...

Pedrita, adoro suas observacoes porque eu sei da sua capacidade de discernimento. Minha irma tb sempre teve opinioes claras e bem decididas. Eu nao tinha essa capacidade. Concordava para nao brigar, preferia a paz, o sossego, as risadas. Só que com isso eu me privava de ser eu mesma. De mostrar para as outras pessoas quem eu era. Vivia me escondendo para agradar quem estivesse ao meu lado. Quando aceitei a Jesus como meu Salvador pessoal, isso foi mudando aos poucos. Fui aprendendo a ver a minha personalidade. Eu sou bem feliz em ver que a minha filha já tao jovem é assim. Acho que faz parte do caráter da própria pessoa, deve ser algum tipo de "gens", rs.

Uns nascem assim outros adquirem através de suas experiências de vida e outros nunca chegam a este ponto, infelizmente.

Um grande beijo

Pedrita disse...

georgia, eu acho importante nós defendermos nosso ponto de vista. mas ao contrário de vc, eu passei a ser mais serena e me calar qd necessário. tem horas que é bom silenciar pela harmonia tb. acho q o mais difícil é o equilíbrio. se colocar sem ferir, ou se calar para não ferir. ser sempre de um jeito ou de outro traz sofrimento. o bom mesmo é não se anular, mas tb respeitar o outro pensamento. saber a hora de ser de um ou de outro jeito.

Bergilde disse...

As crianças de hoje têm uma gama tão alta de estímulos,mas nem todas reagem com a mesma perspicácia e racionalidade que a sua filha.Acredito que tudo depende da educação familiar e aí pelo que tenho acompanhado lendo seus registros vocês também vivenciam tudo com muito diálogo e respeito pela opinião dos filhos.Isto demonstra as respostas dela nesta entrevista.
Abraço fraterno,

João Menéres disse...

GEORGIA

Poderia dissertar sobre esta tão importante matéria.
Mas, nunca por nunca eu diria tão claro quanto o fez a PEDRITA e a BERGILDE !
Portanto, o que eu pudesse dizer a mais só ia prejudicar a clareza do que li.

Muitos parabéns pela sábia educação que têm dado aos vossosdois filhos !

Um beijo amigo, Geórgia.

Sandra disse...

Geórgia, eu acredito que isso é um traço - bem marcante, por sinal - da personalidade da Viviane e acho que não vai mudar. Por outro lado, acredito eu, que na Alemanha existe um traço cultural, que é o da sinceridade, muitas vezes interpretada como "doa a quem, doer", rs.... As pessoas "sofrem" menos ou não sofrem, por mostrarem a sua opinião sem medo de críticas. O não na Alemanha é muito mais bem aceito do que no Brasil. Para dizer um não no Brasil, é preciso ter um arsenal de desculpas! Afinal, a gente não quer magoar ninguém, mas acaba se magoando... No Brasil, em geral, quem diz não, ou que não gosta, ou que não quer ir a tal lugar e etc... na cara do outro, é taxado como “grosso”, “mal humorado” e etc... mas nunca como sincero e verdadeiro, rs.... ai ai, com o tempo fui aprendendo a ser como a Viviane!!Livre para fazer as escolhas que quiser! Bjs

Marianna disse...

Querida amiga,

Assertividade e sinal de maturidade e os Alemães são grandes mestres nessa "arte". Você aprende com a Viviane e eu aprendo com o Marcus e a Alemanzada do Allgau...
Não tem a ver, mas tem um pouquinho:
"Por trás de um folgado há sempre um sufocado."

Beijao amiga e obrigada por tudo, sempre!
Mari

Denise Rangel disse...

Geórgia, as crianças de hoje me surpreendem. São mais estimuladas a interagir com o mundo e as pessoas. Fomos criados para calar e só responder quando um adulto mandasse e sob sua orientação. Muitas vezes me espanto com a perspicácia de minha princesinha, aos 8 anos.
Beijo, menina

Elvira Carvalho disse...

As crianças de hoje em dia são muito diferentes daquilo que eram à 20/30 anos. Imagine a diferença para quem foi criança há 50/60 anos. A Mariana fez 5 anos e ela é bem mais madura do que o pai era com 10. Às vezes fico pasma com as coisas que ela diz.
Um abraço e uma boa semana.

Gisley Scott disse...

Amei a assertividade dela e com que rapidez ela respondeu as perguntas.Ela é muito madura para a idade dela.

Bel disse...

Eu tenho é que aprender a NÃO LER OS COMENTÁRIOS. Eu, como você, não sou como a Vivi. E pra não entrar numa polêmica, prefiro ficar na minha.
Ponto pra ela! Vai sofrer menos na vida...
Beijo, amiga, e parabéns pela filhota!!!

Lúcia Soares disse...

Ponto para a Viviane, por sua sinceridade. Por pensar primeiro em si, para ser inteira e pode se doar melhor. Ela é uma criança madura, centrada.
Sempre aprendemos com os filhos talvez mais do que ensinamos. Beijinho na Vivi.
Beijo, Georgia.

Nana disse...

Parabéns a ela pelas respostas maduras, sensatas e diretas.
Bj e fk c Deus.
Nana,
http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com.br/

Tucha disse...

Achei incrível a capacidade de discernimento no momento de optar e de justificar as suas escolhas. Acredito que os europeu, (pelo menos do que pude observar nas poucas vezes que estive no continente) são muito mais objetivos que nós, brasileiros. Que deixamos de ser claros e mantemos de forma camuflada preconceitos e opiniões.

Beth Blue disse...

Sua filha é show: 9 anos e já sabe o que quer e nâo quer em sua vida! Assertividade é fundamental em alguns momentos, tanto na vida escolar como mais tarde, na vida profissional e pessoal. Eu e Liam aqui
em casa ambos temos dificuldade em sermos assertivos por medo de magoar e pra evitar conflitos! Mas olha, é ruim demais, viu?

Nota 10 pra sua filha, esta vai
longe.

Beth Blue disse...

E vou concordar com a Tucha do comentário anterior: os europeus são muito mais objectivos do que nós brasileiros. Somos um povo emotivo e que gosta de agradar os outros. Já os holandeses aqui são iguais aos alemães: falam na cara mesmo, quer você goste ou não. Brutais mesmo, hehehe. Em quase vinte anos de Holanda, ainda não me acostumei!

Anônimo disse...

Olha Georgia,na questão da garotinha,sim achei sua filha bem madura, afinal, ela tentou se relacionar e entender a garota por anos.Decidir se afastar,neste caso foi sábio...

Mas discordo que seja madureza de sua filha não querer estar perto de quem é diferente dela por achar que tais pessoas vão desconcentra-la...
Acredito que a companhia do que é diferente nos faz crescer,como pessoas e em virtudes.

Já pensou se fosse ela a especial e ninguém quisesse ficar na mesma sala que ela, para não perder a concentração? E, afinal, ela vai aprender a língua,os costumes, as diferenças pra usar entre pessoas diferentes a cada dia,a cada ano.

A máxima de Jesus é:"Tratai aos outros como gostaria de ser tratado". Mas nos dias de hoje,o que tem dominado é a lei do primeiro EU, infelizmente.Mas tudo depende de nós, de como vamos agir.

Peço desculpas por comentar como anonima,mas esta conta está vinculada a um futuro Blog que ainda não está pronto,e nem sei realmente se vou termina-lo.


Relutei muito em comentar aqui,pois não sou uma leitora que sempre concorda com tudo que lê,mas achei importante dar minha opinião,depois de ler o seguinte pensamento:

"Não podemos viver apenas para nós mesmos. Mil fibras nos conectam com outras pessoas, e por essas fibras nossas ações vão como causas, e voltam para nós como efeitos".

Ah, me chamo Donna.

Georgia Aegerter disse...

Donna, concordo com o seu ponto de vista. Eu tb pensei que ela fosse dizer que nao seria problema algum, até porque antes enaquanto esperávamos a nossa vez, conversamos com ela e falamos exatamente sobre isso: "e se fosse você a diferente?" Creio que ela pensou muito sobre o assunto e decidiu por ela mesma. Eu nao sei se ela reagiu assim porque ela fez terapia da palavra durante 4 anos e ela mesma viu o quanto foi dificl. É o que me faz pensar o porquê da decisao dela. Mas me acredite, nós tb ficamos surpresos.
Volte outras vezes. Gosto de pessoas que dizem suas opinioes. Como eu escrevi: eu nem sempre consegui dizer ou agir com sinceridade, mas aprendi e continuo aprendendo.

Um grande beijo e volte e quando tiver o blog me avise vou gostar de conhecer vc mais de perto.

Allan Robert P. J. disse...

Me empresta a Viviane por uns tempos?

:D

Milene Galvão disse...

Eu era assim... Muito rebelde... E queria fazer coisas erradas para chamar a atenção, princialmente dos meus pais...
Hj mais madura, eu penso diferente... Acho q quase igual a Viviane amiga!!!
Mas sou um pouquinho mais categórica em algumas coisas...
Mas, uma coisa não mudou...O meu estopim. Ele continua curto... Cutucou, levou!!!

bjos

M. M. disse...

Olá!
Estou conhecendo seu blog hoje e já passei a seguir só de ler esse post! Muito bom! Sua filha é incrível, parabéns! Muito adulto não consegue ter tanta consciência do que é melhor pra si e consequentemente para os outros!
Adorei! Beijos!
M.

http://caseicomomundo.blogspot.com.br

Pêtra disse...

UAU!!! Eu nao sou tao madura e honesta quanto a Vivi! Preciso aprender a ser uma pessoa assim sincera, pois realmente muitas vezes pensamos mais nos outros do que em nós e no meio do caminho nao suportamos esse peso!
Desejo que ela continue sempre assim e que Deus abencoe as escolhas e decisoes dela!!
Beijo!!

Camille disse...

Viviane está se mostrando uma menina segura e cheia de clareza. VocÊS pais,certamente estão dando a ela esse suporte, para que ela tenha essa assertividade na entrevista da escola. Esta procurando o melhor jeito de aprender. Acredito que a cultura tb ajude. Minha filha esta numa escola como essa, inlclusiva. As vezes parece inclusiva demais, com crianças e adolescentes que deveriam estar em outro tipo de convivio. Mas é assim, ela se adaptou bem. Quanto a escolher as coleguinhas da sala, ela foi perfeita. Nossa!!! Tao diferente de mim tb quando tinha a idade dela!! Ve se eu teria coragem de dizer: ja passei 4 anos com ela me amolando, nao quero passar mas 7 ou 8. Tem toda razão. Eu aguentava calada mesmo. Parabens Georgia, adorei. Bjosss

Li Ferreira Nhan disse...

Oi Georgia tudo bem?
Respondendo as suas perguntas; "O que é que realmente importa? E com você, como é? "
_ Filhos e pais; essa relação propicia a troca e aprendizado. Ensinamos e aprendemos com os filhos. Comigo ainda é assim (minhas filhas já são adultas).
A concordância e a divergência amadurece a relação; nos faz refletir e, continuamos a aprender.
As divergências, as diferenças mais do que as semelhanças nos fazem crescer e nos prepara para a vida.
Importa o respeito ao próximo e isso implica a não discriminação, a aceitação do outro com suas dificuldades também. Ensinei isso as minhas filhas e continuo aprendendo essa lição com elas.
"Não faça aos outros, aquilo que voce não quer que eles façam a você", foi o que me ensinaram (meus avós e meus pais); ensinei às minhas filhas também.
É assim Georgia, a educação permanece sempre entre nós e a idade com o passar dos anos nem importa mais. Sempre é tempo para aprender, ainda bem!

Fico muito feliz em saber que na Alemanha as escolas sejam integrativas. Tenho fé que a integração entre os diferentes possa fazer um mundo menos individualista, menos competitivo e menos preconceituoso. Já basta o que a humanidade sofreu com o modelo de "pureza" e excelência".
Beijos!

Anônimo disse...

Olá, Georgia. Há quanto tempo não passo por aqui, já que tenho notícias suas lá no Facebook. Mas um blogue permite uma troca de ideias menos resumida e superficial.
Fiquei espantada com as respostas da Viviane. Na idade dela eu jamais teria corageem de falar com tamanha franqueza.
TEntei duas vezes postar meu comentário, com minha conta Google, mas não consegui. É muito complicado. Então vou tentar publicar como anônima e assino aqui: Sonia Sant'Anna.

Anônimo disse...

Olá Georgia, a reacao de sua filha foi natural de acordo com o pensamento e jeito de ser do povo alemao que sao por natureza, individualistas,diretos,lógicos, egoístas, dominadores e objetivos. Ao contrário do sulamericano que tende mais á fazer decisoes pelo lado emocional o europeu em geral é mais lógico e nao age tanto com o coracao. Ele primeiro pensa nele e os outros em segundo ou terceiro plano. Sao sempre assim independente de onde eles estao, eles tem que estarem sempre em primeiro lugar e costumam querer tudo do jeito deles até mesmo quando nao estao na terra deles. Eles muitas vezes sao arrogantes. Eu entendo que é dificel criar um filho em outro país aonde nao temos muito a liberdade de repassar alguns de nossos valores para eles, pois eles talvez nao os assimilariam, já que sao criados em uma sociedade individualista, egoísta e que se acham sempre os superiores. Para eles decidir com o coracao é coisa de um povo fraco. A sua filha já qu é criada aí, dificelmente vai pensar e agir como uma crianca brasileira. Isso nao é uma critica, mas sim apenas o meu ponto de vista baseado em experiencias. Abracos!

Anônimo disse...

Oi Georgia, a viviane apenas agiu como uma crianca alema. Pois a mentalidade deles aí em geral é assim, diretos, objetivos e individualistas. Mesmo tendo sangue brasileiro ela vive aí e nao espere que seus filhos agem como criancas brasileiras. Nao me entenda mal, mas analisando psicológicamente nao há nada de anormal para a mentalidade de onde voces vivem. Tudo de bom.