Minha convidada de hoje é a
Gisley do blog Querido Deus, obrigada por me Exportar. Ela vive na Flórida e vai falar em como ela viveu a sua adaptacao e eu me identifiquei demais com o que ela descreveu e acredito que passamos por isso, mesmo nao tendo trocado de país. Vao lendo e depois comentem.
Falar de nasciment
o é falar da gênese.Do começo de tudo.Do momento entre aquele lugar quentinho conhecido como o ventre da mãe e à vinda ao mundo "frio". Na fase que estou vivendo agora, quando eu penso em nascimento, eu penso em adaptação no exterior. Por que? Por que a expatriação pra mim é como um parto.Saímos do nosso conforto, do nosso lugar quentinho, aconchegante, protegido, recebendo todos os nutrientes, mimos...Do lado de dentro(leia-se no nosso país) somos especiais, o centro das atenções.Tudo que fazemos é engraçado, divertido e cativante.
E nessa transição entre a deixada do ventre e as mãos do médico há um momento de ruptura.Um momento de desapego.Momento esse que é difícil de aceitar.Emoções que nunca sentimos antes começam a aparecer e a gente se pergunta de onde elas vem.Assim como uma criança, a gente leva um "tapinha na bunda" pra chorar.Porque chorar também é vida.É parte desse processo, desse aprendizado.
E daí não apenas nasce a imersão de um ser em uma nova cultura, mas nasce também um novo indíviduo que absorverá novos valores, novas regras, novas leis, novas formações de opinião, novos sabores, novos lugares, novos costumes, novas frustrações, novos desafios.
Uma vez alguém me disse que nada muda mais você do que morar fora do país. E quer saber? Essa pessoa estava certa.Para poder se adaptar você precisa nascer de novo.Precisa estar disposto a aprender de novo.Precisa engatinhar, cair, se levantar, chorar,colocar dedo na tomada (leia-se pagar mico) , lidar com as restrições, com as diferenças,com o não da sua nova pátria mãe e com a diferença [ e às vezes a indiferença] dos teus "novos irmãos"[povo nativo daquele país].
Muitos brasileiros sofrem durante a adaptação e não tiram o melhor do seu "nascimento" porque ficaram estagnados na sala do parto.Ainda estão a chorar...Ficam a comparar o ventre materno com o berçário do hospital. Estão a se perguntar " porque esse lugar não é quentinho e seguro? Porque ninguém me dá tudo na mão e porque eu não sou mais o centro das atenções?" A resposta crua do médico seria a seguinte : PORQUE VOCÊ NASCEU, O QUE SIGNIFICA QUE A VIDA SEGUE. O NASCIMENTO É UM CAMINHO SEM VOLTA.
[ Pausa pro choro...]
[Se quiser chorar, pode pausar também... ]
Aceitar que a vida segue de maneira diferente nem sempre é fácil, mas é necessário. Nós exportados tivemos, temos e teremos momentos de constante nascimento.É um conhecer, aprender ,tornar comum e se desapegar para receber algo novo e inusitado.
E nesse processo, "haja parto" e muita paciência! Mas quer saber? Nada se compara a se descobrir e redescobrir diariamente.Você achava que já se conhecia só pra vir pra terra dos outros e vê o quanto tem que aprender sobre si, o quanto coisas que antes nunca fizeram tua praia agora fazem, enquanto outras já não são tão relevantes assim e o que tens por "conhecido" agora é estranho.
Nada muda mais uma pessoa do que ir morar em um outro país...
Nada muda mais um país do que ter grande concentração de imigrantes nele.
No final, o nascimento é dinâmico, pois acontece com ambas as partes.
E você? O que precisa se desapegar para que teu "nascimento"mundo à fora flua da melhor maneira possível?
Esse post é dedicado à todos os exportados que estão de uma maneira ou lidando com vários nascimentos dentro de si.
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
( LuLu Santos)
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