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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Como é a ginecologia na Alemanha?

Outro dia a Nadja do blog A Cacadora de Esmeraldas falou do sistema de saúde na Holanda.
Nao vou falar como é aqui hoje, mas quem sabe um outro dia. Mas vou falar
como funciona a parte ginecológica. No comeco fiquei temerosa quando soube que o meu ginecologista que acompanharia a minha gravidez nao seria o mesmo que faria o meu parto. Como nao? Foi a pergunta que eu fiz acostumada com o sistema brasileiro.
O meu médico me respondeu:
- A senhora tem o Mutterpass; o passaporte de mae. Aqui eu anoto todas as coisas principais do pré-natal. Quando chegar a hora a senhora vai para qualquer hospital escolhido por você para ter o seu bebê. Com esse passaporte qualquer médico no setor ginecológico do hospital terá condicoes de fazer o seu parto. Mesmo que a senhora esteja em outro estado na Alemanha, em outra cidade, leve sempre o passaporte de mae consigo.

Falei com ele: - Engracado no Brasil nao é assim; o meu ginecologista é quem faz o parto.

Ele, já um senhor muito educado, me explicou: - E ai ele deixa as outras 20 clientes esperando, ou as manda de volta para casa, quem sabe uma delas está com o bebê correndo risco de vida, mas que ainda nao foi dado o sinal, larga tudo para fazer o parto de uma cliente? Quando decidimos ser médico na área ginecológica podemos optar por termos um consultório ou optarmos por fazermos partos. Anotamos no passaporte de mae todas as coisas importantes tanto da mae quanto do bebê. A senhora pode ficar tranqüila que dará tudo certo.

Gente, depois dessa explicacao fiquei lembrando como muitas das vezes quando alguém sofre um aborto natural e vai para o hospital, mas antes liga para o seu ginecologista e fica lá horas e horas sangrando e esperando ele chegar. Eu passei por isso 4 vezes no Brasil e sei o que é. Seria muito bom se esta parte da Ginecologia no Brasil mudasse, até mesmo por uma questao de cuidar até da vida médica, pois o estress que vive um ginecologista nao é mole nao.
Acho que essas coisas poderiam ser diferentes no Brasil.

Atenção: É expressamente proibido a cópia deste texto e imagens sem a autorização prévia do autor.

31 comentários:

Jens disse...

Impressionante o pragmatismo germânico.

Beijo, Georgia.

Marlia disse...

Georgia,
Aqui nos Estados Unidos é bem diferente tanto da Alemanha quanto do Brasil. Aqui seus dados são enviados diretamente ao hospital/medico e não passa por voce suas informações. No meu caso o meu ginecologista tem um consultorio com varios outros ginecologistas/neonatal, e quando eu estava gravida passei por todos para que me conhecessem e soubesse exatamente como estava e assim no dia que eu fosse ao hospital que tinha escolhido previamente o que estivesse mais livre me acompanharia e faria meu parto. Acho isso uma coisa muito boa pois até mesmo pensando no caso de seu medico está de férias, etc.... Voce não precisa ficar esperando no hospital.

Bjs,

Marlia

Vanessa disse...

Excelente sistema, sem dúvida.

Abraço

Chica disse...

iNTERESSANTE VER ISSO E PENSANDO BEM ELES PODEM TER RAZÃO.aPENAS PECAM POIS NÓS CONFIAMOS NUM E DEPOIS SOMOS ENTREGUES A UM QUALQUER. eSSA PARTE É IMPORTANTE, A NOSSAS SEGURANÇA E TRANQUILIDADE ...eM TUDO TEM O BOM E O RUIM...BEIJOS,CHICA

João Menéres disse...

Parece-me que qualquer dos sistemas (Alemanha ou Estados Unidos) é melhor do que o que conheço aqui em Portugal (semelhante ao do Brasil).

Beijo, GEORGIA.

Lúcia Soares disse...

A gente estranha, mas parece lógico. Quer dizer, É lógico. A gente tem mania, aqui no Brasil, de querer exclusividade, de achar que o médico fica "às nossas ordens". Muitas vezes se tem um Plano de Saúde, mas paga-se ao médico particularmente, só para ele estar conosco na hora.
Aí sei que é uma enfermeira que providencia tudo, o médico só chega na última hora, não é? Meu marido tem uma sobrinha que mora aí na Alemanha há 18 anos, e tem 2 filhos nascidos aí, um de quase 12 anos e uma menininha de 2 anos. Ela não tem queixa nenhuma do sistema médico daí.
Bj

Dalva disse...

É mesmo uma questão de bom senso. Quando engravidei de minha filha, fiz meu parto pelo sistema público de saúde (naquela época ainda não estava tão ruim quanto hoje em dia)e foi mais ou menos assim: a médica que acompanhou o meu pré-natal não foi a que fez o meu parto. Tudo do meu pré-natal ficou anotado num prontuário do hospital e (pasme!) não foi esse o hospítal designado para fazer o meu parto! Como resultado disso: fiz o parto (normal, felizmente) em um outro hospital, com uma médica que nunca tinha visto antes e sem qualquer prontuário anterior disponível... Só no Brasil, mesmo, não é? Ai... ai...

Bjs.

Luciana disse...

Eu achei super interessante e bem inteligente este sistema. Seria mesmo muito bom e prático se Brasil seguisse o modelo daqui.
Beeijos e tenha um excelente dia.

Gabi disse...

Oi Georgia, fiquei com uma duvida. quem faz o parto ai na Alemanha e um medico ou uma parteira?
Bjs
Gabi( Irma de Bia)

Georgia disse...

Marlia, eu também achava que por ser primeiro mundo estaria tudo dentro de um sistema e que os médicos poderiam abrir minha página e conferir meus dados. Mas aqui se usa o sistema de passaporte de mae e a gente precisa carregá-lo para todo o canto que vai.

Chica, é mania de brasileiro querer exclusividade nunca vi. Temos tantos medos, medo de tudo. Aqui é a brasileira é conhecida como aquela que tem medo de ter filhos e prefere a cesariana ao parto normal; é outra confrontacao que temos que passar, pois eles vao até o final tentando o parto normal.

Gabi, existe parteiras e também médicos e médicas que fazem o parto. É muito comum na Europa ter parteiras, elas estao licenciadas para fazer o parto sem nenhum problemas. Sao super cuidadosas e atenciosas.

Eu adorei esse sistema, é prático e confiável porque a gente pode chegar em qualquer hospital e ser atendida, sem ficar estressada e com medo de que seu médico nao chegará em tempo.

Ann disse...

Oi Georgia,
Aqui na Inglaterra e parecido. Temos o nosso caderno da gravida, aonde estao todas as anotacoes das consultas, que nao sao muitas, se a gravida nao tiver problemas de saude. Nunca somos vistas pela mesma parteira, que e quem faz os partos aqui. Intervencao medica so em caso de cesarea ou complicacoes na hora do parto, que tambem tem que ser normal. Cesareas so para quem ja teve uma, que 99% dos casos sao feitas de emergencia, porque o parto natural nao desenvolveu (meu caso). Tenho as minhas duvidas quanto a qualidade, pelo menos por aqui em Londres, devido a populacao estar crescendo desenfreadamente, o sistema de saude, principalmente ligado a maternidade tem falhado muito. Na verdade a qualidade de atendimento esta muito inferior desde que tive meu filho ha 9 anos atras, estou assustada ate, com coisas que tem me acontecido nesta gravidez atual. Muita gravida para pouca parteira.
Bjs

Lunna disse...

Bom dia Georgia e eu aqui comecei a rir. Não, eu não penso em ter filhos, mas não fazia a menor idéia de que ginecologista fazia parto. rs
Sério, pra mim ele sempre foi um médico para tipos especificos de situações: exames, acompanhamentos e por aí vai.
Mas tudo bem, o parto da minha mae por exemplo foi natural e teve uma parteira. Ela teve acompanhamento médico normal durante o tempo todo, fazia yoga e outro monte de coisas. Há uma música que ela ouvia o tempo todo e eu fiquei tão maluca com isso que eu juro ouví-la até hoje, kkkkkkkkkkkkkkk
Piada.

Ps. Carissima, você me deixou confusa: é que vc disse que o "bebê corre risco de vida" - vc quis dizer "risco de morte"? Eu sei que a língua portuguesa me deixa toda confusa na maior parte do tempo, mas tudo bem.

Bacio...

Pedrita disse...

no brasil a saúde é praticamente caso de polícia. meu pai foi no servidor público, estava com a pressão alta. esperaram 5 horas pra dar o remédio e quando o fizeram ele estava de estômago vazio e já com a pressão no pé e estranharam que caiu muito. não entendo tanta incompetência. e quem paga seguro saúde não passa muito melhor não. triste país onde a verba pra saúde nunca chega onde deveria chegar. beijos, pedrita

Sonia disse...

A explicação que lhe deram faz todo sentido. Gostei do sistema.

Mylla Galvão disse...

Primeiro mundo é uma coisa...
País subdesenvolvido é outra...

Mas adorei o sistema!!!
Mto bom mesmo!!!

Maria Augusta disse...

O sistema alemão é mais lógico e certamente mais prático, o brasileiro mais personalizado. Aqui na França acho tudo tão impessoal no ramo da saúde, os médicos parecem robôs, nem parece que lidam com a vida das pessoas. E depois de uma certa idade, como tudo é gratuito (logo financiado com dinheiro público) eles acham que não vale mais a pena investir nos tratamentos caros. Disseram à minha vizinha que precisava ser operada : "A senhora tem 73 anos, pela esperança de vida deve viver ainda uns 10 anos, logo ainda vale a pena fazer a operação". Acho isso incrível.
Um beijão.

Tucha disse...

No Brasil normalmente nas Maternidades existe um plantonista obstreta que pode atender os casos urgentes, por exemplo, um aborto ou uma placenta prévia... condições que põem em risco a vida da mãe e da criança. O que nos falta ainda, na maioria dos hospitais é um prontuário informatizado onde se possa acessar as informações de saúde do paciente.

Beta disse...

oi linda!!
Adorei a música do seu blog.
Este seu post veio à calhar com a notícia que li hoje na net. Um bebê morreu de asfixia porque o médico da paciente e o médico de plantão do hospital se estapearam na sala de cirurgia, acredita nisso?
O médico de plantão nao aceitou que outro médico fizesse partos no lugar dele. Tiveram que tirar os dois com força policial... Só aqui no Brasil mesmo!
Gata consegui mexer nas imagens e colocar o nome, até troquei um pouco no blog!!
Depois dá uma olhada!
Bj

Lou Mello disse...

Georgia, uma das propostas do Coração Valente é um banco de dados com todas as informações de cada cardiopata congênito, justamente para possibilitar atendimento a qualquer hora, em qualquer hospital do mundo e pelo médico que estiver no plantão. Muito boa sua matéria. Obrigado.

Ana Tapadas disse...

Boa matéria, sim e muito haveria dizer sobre o sistema português. Varia conforme a escolha: privado ou público. O parto pode ser acompanhado pelo obstetra ou pela parteira (ou pelos dois). As parteiras ou parteiros são enfermeiros licenciados (5 anos), mais a especialização. Está-se em boas mãos.
Beijo

Fatima Cristina disse...

Oi Georgia,

Aqui na Áustria também temos o Mutter-Kind-Pass, mas o meu ginecologista que também é obstetra, fez os meus 2 partos, em clínica particular (maternidade). No hospital público, o esquema seria o mesmo que você descreveu. Eu preferi continuar com o atendimento pessoal do meu próprio médico que me conhece desde que cheguei aqui e usei o meu seguro saúde extra para os partos. Nao me arrependi. Tive um tratamento de 1a. na clínica, com verdadeiras aulas para aprender a dar banho no bebê ( e no caso do primeiro filho foi muito necessário) e também a amamentar corretamente.
Tenho um carinho especial pelo meu ginecologista. Mas nem sempre dou sorte com outros médicos aqui. Já cheguei a ir num dermatologista que nem me olhou nos olhos. Apertar a mao entao, nem pensar!

Beijos!

Bergilde Croce disse...

Georgia,sobre seu comentário lá nos filhotes adorados:as horas do 2º parto em si foram muito inferiores em relação ao 1ºtambém natural(quase 8 de trabalho até o nascimento dele)mas a jóia de ser mãe é imensurável e nós mães somos as 1ªs a reconhecer os dotes de nossos filhotes,não é!Lendo seu post sobre modelo de saúde na Alemanha,penso que parcialmente é semelhante ao que tempos aqui na Itália,isto é, por aqui os serviços públicos funcionam muito bem na região norte(por acaso onde vivo),até hoje não tive do que me queixar com o ASL(espécie de 'SUS' italiano).Meus dois filhos nasceram em Maternidade pública,fiz pré-natal, curso pré-parto e ainda massagem do bebê gratuitamente).O parto natural é estimulado sempre até por conta do tempo de permanência e gasto hospedaleiro ser bem inferior em relação ao cirúrgico.Para determinados exames se paga um 'ticket' muito inferior ao valor de 1 consulta privada.O que vocês chamam de Mutter-kind-Pass é aqui chamado mútua,a tessera sanitária que é válida em todos os países pertencentes à UE. Já no sul a coisa parece o Brasil-longos tempos de espera nos atendimentos e insatisfação geral da população e quem pode pagar vai ao privado. Assunto que a mim empolga amiga.Grata por tudo,Bergilde

Izabel disse...

Oi,Georgia!
É impressionante como o mundo aí consegue ser organizado. Gosto de te ver contando como são as coisas por aí.

Leio todos os teus textos mas, ás vezes, não comento. Mesmo assim, sinto a delicadeza e a alegria em tuas postagens.

Como tenho vários blogs mudei o rumo deles, não te assusta com o diariodeizaberum, ele está para ser mais melancólico. Se preferires, como és muito gentil podes acompanhar qualquer outro.

Adorei o quebra cabeças da Vivi. Crianças que crescem em um ambiente saudável tem grandes chances de desenvolver o raciocínio precocemente.
Um beijo!

Mi disse...

nunca tinha escutado essa explicacao e realmente faz sentido por causa da falta de tempo, mas eu realmente me sentiria mais segura se tivesse o mesmo medico na hora do parto. Afinal, vc passou tb os 9 meses com ele e ele sabe tudo da sua gravidez. E na hora H vc fica entrega a pessoas desconhecidas e que vc nem sabe quem sao e na verdade, tb nao estao nem ai pra quem vc é. Nao sei, tem seu lado positivo mas tb negativo. ;) bjs!

Ana Filipa Oliveira disse...

Oi, Georgia! Mandei para você um email, por causa da minha ida à ginecologista. Santa Georgia, sempre ajudando com as suas dicas! Na Farmácia aconteceu algo engraçado. Eu pensava que as pílulas fossem gratuitas, pois em Portugal se nós formos ao médico do sistema público, a enfermeira dá-nos gratuitamente as pílulas. Aqui, paguei por uma caixa para 3 meses, quase 40 euros. É mesmo assim, ou eu fiz besteira? Bjs

Amanda Luna disse...

oiii consegui graças à VOCÊ colocar o link do video falando das técnicas para combater varizes... obrigadoooo!!!
e amei este post.. já passei por um aborto e meu médico nem apareceu... quando eu liguei p/ ele, o bonito me disse que estava numa viajem e não poderia ir... fui atendida por uma médica com um coração enorme que acabou virando minha atual ginecologista... além do sofrimento de se perder um filho, ainda passei pelo descaso do medico... um absurdo, acho que os ginecologistas do seu país é que estão com a razão!!!
bjs e mais uma vez obrigado... ah e aprendi linkar os blogs favoritos e com certeza vou linkar o seu esta semana viu!!

Gisley Scott disse...

Mais diferenças culturais.
Muito engraçado...
Ficaria meio sem graça de fazer meu parto com uma pessoa que vou ver pela primeira vez!!! hahahahaha!
ô comédia, mas na hora da dor a gente nem pensa né?Sei lá :)!

Sonia H disse...

Querida Georgia,
Este sistema no Brasil precisa melhorar muito, mas ainda gosto de ser acompanhada pelo mesmo médico que fará o meu parto.
Eu vivi essa história na Holanda e sei 'na carne' o que foi. Minha experiência foi traumática e só tenho a agradecer a Deus por meu filho não ter ficado com seqüelas do parto... Destesto como tudo funciona na ginecologia holandesa. Não sei se na Alemanha é parecido.
Beijos,

Anunciação disse...

No sistema único de saúde é pra ser assim;tanto que nas unidades básicas existe o cartão da gestante com todos os dados(pré-natal mês a mês,histórico pessoal e familiar,sinais vitais,res.de exames)inclusive as maternidades que atendem gestantes sem risco e formulário de referência para maternidades de alto risco,se for o caso.Mas a prática fica bem aquém;entre os entraves,o sistema de marcação de exames é um purgatório pra gestantes e pessoal de saúde das ubs.

Georgia disse...

Mi, quanto as suas indagacoes, nao se sinta assim nao, pois o seu médico que acompanhará o seu pré natal nao sabe nadica da hora "H" do parto. Ele é muito bom em saber se está tudo bem com o bebê mas nao passa disso. O pessoal que trabalha no hospital nesta área dao de dez à zero no ginecologista dos praxis. Na gravidez da Viviane como eu já estava com 42, eu tinha que passar a cada dois dias no hospital para que eles pudessem ver o bebê, eles sao ótimos, pois no hospital o trabalho é muito mais intenso que no praxis. Confio mais nos médicos do hospital neste caso do que no que fica sentadinho no praxis. Até porque se o bebê tem algo eles logo te encaminham para o hospital, sao eles quem resolvem a coisa.

Acho que neste seu caso é só medo mesmo e falta de confianca num outro médico. Vejo nisso a nossa cultura: estamos acostumada com servico personalizado.

Um beijo e boa semana

Georgia disse...

Ana, eu nao sei qual o seu sistema de saúde, mas se a farmácia te cobrou entao está certo nao se preocupe. Nao sei muito sobre as pílulas porque nao as tomei.

Um beijao